INFERNIZEI A VIDA DO CEO
Eu não queria me apaixonar pelo CEO que transformou minha vida em um inferno… eu só queria que ele provasse, pelo menos uma vez, o próprio remédio.
Meu nome é Han Seo-yeon.
E, durante muito tempo, eu achei que a pior coisa que poderia acontecer comigo seria perder meu emprego.
Eu estava enganada.
A pior coisa foi descobrir que o homem que havia acabado de destruir minha carreira era o mesmo homem que, meses depois, faria meu coração bater mais forte.
Kang Tae-jun era o CEO mais temido da empresa.
Frio.
Exigente.
Impossível de agradar.
Ele conseguia fazer uma sala inteira ficar em silêncio apenas entrando pela porta.
E eu o odiava.
Pelo menos foi isso que pensei no começo.
Eu trabalhava no Grupo Kang havia quatro anos.
Não era rica.
Não tinha família influente.
Não conhecia pessoas importantes.
Mas era boa no que fazia.
Eu cuidava dos projetos da equipe de planejamento e havia passado meses trabalhando em uma apresentação que poderia mudar minha carreira.
Passei noites revisando números.
Finais de semana estudando relatórios.
Até que finalmente chegou o grande dia.
Eu estava diante da diretoria quando Tae-jun entrou.
Terno escuro.
Expressão séria.
Nenhum sorriso.
Ele sentou na ponta da mesa.
— Comece.
Respirei fundo.
Apresentei tudo.
Durante vinte minutos, ninguém interrompeu.
Quando terminei, esperei.
Tae-jun folheou os documentos.
Então levantou os olhos.
— Quem aprovou isso?
— Eu mesma revisei todos os dados.
— Então você deveria ter percebido os erros.
Meu rosto esquentou.
— Que erros?
Ele apontou para uma página.
— Estes.
Olhei.
E congelei.
Os números estavam diferentes dos que eu havia entregue.
— Esses não são os meus dados.
Ele me encarou.
— Está dizendo que alguém alterou seu relatório?
— Sim.
— Tem provas?
Eu não tinha.
Naquela tarde, fui afastada do projeto.
No dia seguinte, demitida.
Saí daquele prédio carregando uma caixa com minhas coisas.
Eu estava com raiva.
Humilhada.
E determinada a descobrir quem havia feito aquilo.
Na calçada, olhei para o enorme logotipo do Grupo Kang.
— Eu ainda vou fazer você se arrepender disso, Kang Tae-jun.
Não sabia que ele estava dentro do carro parado do outro lado da rua.
E tinha ouvido tudo.
Duas semanas depois, consegui um emprego em uma pequena empresa.
O salário era menor.
Mas eu estava feliz.
Até descobrir que meu novo chefe havia acabado de assinar um contrato com o Grupo Kang.
E quem apareceu para supervisionar o projeto?
Tae-jun.
Quando nossos olhos se encontraram, ele ficou imóvel.
— Você.
Cruzei os braços.
— Eu mesma.
Ele olhou para os documentos.
— Ainda está trabalhando nessa área?
— Diferente de algumas pessoas, eu não desisto tão facilmente.
Um pequeno sorriso apareceu em seu rosto.
— Então vamos trabalhar juntos novamente.
— Será um prazer.
Não seria.
Na primeira reunião, ele criticou meu trabalho.
Na segunda, questionou minhas decisões.
Na terceira, pediu alterações em praticamente tudo.
Eu comecei a ficar irritada.
Então tive uma ideia.
Se ele queria transformar minha vida em um inferno...
Eu poderia fazer o mesmo.
Comecei discretamente.
Mudei a ordem das reuniões.
Antecipei alguns relatórios.
Enviei mensagens extremamente educadas nos horários mais inconvenientes.
Nada ilegal.
Nada maldoso.
Apenas pequenas coisas.
Uma vez, mandei para ele uma apresentação de quase duzentas páginas.
Na última página estava escrito:
"Espero que tenha uma ótima noite."
Ele me ligou imediatamente.
— Você fez isso de propósito.
— Fiz o quê?
— Duas centenas de páginas.
— O senhor pediu detalhes.
Silêncio.
— Você está brincando comigo?
Sorri.
— Jamais, senhor CEO.
Pouco depois, descobri uma coisa.
Tae-jun não sabia cozinhar.
Nada.
Nem arroz.
Nem macarrão.
Nem mesmo café.
Descobri porque ele apareceu no escritório segurando uma marmita queimada.
Eu ri.
Ele me olhou.
— Algum problema?
— Nenhum.
— Está rindo.
— É que... seu almoço parece ter passado por uma guerra.
Ele olhou para a marmita.
— Minha cozinheira está de férias.
— E você não sabe cozinhar?
— Não.
Foi então que tive outra ideia.
No dia seguinte, deixei um pequeno livro de receitas sobre a mesa dele.
Sem bilhete.
Ele descobriu que fui eu.
Naquela noite, recebi uma mensagem:
"A receita dizia quinze minutos. Eu queimei em sete."
Eu ri sozinha.
Aos poucos, nossa guerra começou a mudar.
Ele parou de ser tão frio comigo.
Começou a fazer perguntas.
— Por que você trabalha tanto?
— Porque preciso.
— Para quê?
— Para ter liberdade.
Ele ficou olhando para mim.
— Você sempre responde assim?
— Só quando fazem perguntas demais.
Certa noite, ficamos presos no escritório por causa de uma forte tempestade.
O prédio estava quase vazio.
Eu estava trabalhando quando ouvi:
— Você ainda está aqui?
Era Tae-jun.
— Você também.
Ele se sentou do outro lado da sala.
Durante alguns minutos, nenhum dos dois falou.
Então ele perguntou:
— Você realmente acredita que eu destruí sua carreira?
Olhei para ele.
— Não acredito.
Ele pareceu surpreso.
— Então por que me odeia?
— Porque você não investigou.
Ele abaixou os olhos.
— Eu deveria ter investigado.
Foi a primeira vez que ouvi Tae-jun admitir um erro.
No dia seguinte, ele reabriu meu antigo processo.
Começou a investigar os documentos.
E descobriu algo estranho.
Os arquivos realmente haviam sido alterados.
E a pessoa que fez isso trabalhava dentro da empresa.
Mas quem?
A suspeita caiu sobre vários funcionários.
Inclusive pessoas próximas ao próprio CEO.
E então apareceu um nome.
Choi Min-ah.
A diretora financeira.
Ela havia sido uma das pessoas que mais insistiram na minha demissão.
Tae-jun a confrontou.
Ela negou.
— Eu nunca faria isso.
Ele não respondeu.
Apenas colocou os documentos sobre a mesa.
Min-ah ficou pálida.
Eu pensei que finalmente descobriríamos a verdade.
Mas naquela noite recebi uma mensagem anônima:
"Você está procurando a pessoa errada."
Depois outra:
"Pergunte ao CEO por que ele realmente te demitiu."
Fui até Tae-jun.
— O que você está escondendo?
Ele ficou em silêncio.
— Responda.
— Eu recebi uma denúncia contra você.
— De quem?
Ele hesitou.
— Alguém que eu confiava.
— Quem?
— Meu irmão.
Eu não sabia que Tae-jun tinha um irmão.
Muito menos que ele trabalhava na mesma empresa.
Kang Tae-min era o diretor de estratégia.
Elegante.
Educado.
Sempre sorridente.
E aparentemente perfeito.
Mas agora eu começava a desconfiar dele.
Tae-jun me contou que, meses antes, Tae-min havia apresentado documentos dizendo que eu havia cometido um erro grave.
Tae-jun acreditou.
Por isso me demitiu.
— Então você destruiu minha carreira porque acreditou nele?
— Sim.
— Sem me ouvir?
— Sim.
Fiquei em silêncio.
Ele abaixou a cabeça.
— Eu estava errado.
Eu queria continuar com raiva.
Mas naquele momento percebi que ele estava realmente arrependido.
Tae-min começou a perceber que estávamos investigando.
E então tentou nos afastar.
Espalhou rumores na empresa.
Fez parecer que eu estava usando Tae-jun para recuperar meu emprego.
Funcionou.
Durante alguns dias, todos comentavam sobre nós.
Tae-jun ficou furioso.
— Você não precisa provar nada para ninguém.
— Mas estão falando de mim.
— Eu sei.
— E você?
Ele olhou diretamente para mim.
— Eu sei quem você é.
Meu coração acelerou.
Foi naquele momento que percebi que minha vingança tinha mudado de propósito.
Eu não queria mais infernizar a vida dele.
Eu queria protegê-lo.
Descobrimos a verdade.
Tae-min havia alterado os documentos para assumir uma posição maior na empresa.
Mas havia algo ainda mais surpreendente.
A diretora financeira sabia.
E estava tentando impedir Tae-min.
Foi por isso que ela havia escondido algumas informações.
No final, ninguém era completamente inocente.
E Tae-jun percebeu que havia passado anos confiando nas pessoas erradas.
Ele pediu desculpas publicamente.
Diante de toda a equipe.
— Han Seo-yeon foi injustamente responsabilizada por uma decisão que não foi dela.
Todos ficaram em silêncio.
Ele continuou:
— Eu errei ao não ouvi-la.
Olhei para ele.
— Obrigada.
Depois da reunião, ele me acompanhou até o elevador.
— Você ainda me odeia?
Sorri.
— Um pouco.
— E ainda vai continuar infernizando minha vida?
As portas se abriram.
Entrei.
Olhei para ele.
— Talvez.
Ele sorriu pela primeira vez.
— Então acho que vou precisar me acostumar.
Meses depois, comecei a trabalhar novamente no Grupo Kang.
Dessa vez, por escolha minha.
Tae-jun continuava exigente.
Eu continuava respondona.
Nossa relação era uma mistura de discussões e risadas.
Até que, certo dia, ele colocou um pequeno bolo sobre minha mesa.
— Fiz para você.
Olhei para o bolo.
Depois para ele.
— Você fez?
— Sim.
— E não queimou?
— Não.
Peguei um pedaço.
Ele ficou esperando minha reação.
— Está bom.
Ele sorriu.
— Então você admite que eu aprendi?
— Não se empolgue.
Ele riu.
E eu percebi que o homem que eu havia jurado transformar no alvo da minha vingança tinha se tornado alguém que eu não conseguia mais imaginar longe de mim.
Mas nossa história ainda não tinha terminado.
Naquela noite, encontrei um envelope sobre minha mesa.
Não tinha remetente.
Abri.
Dentro havia uma fotografia.
Era o dia em que fui demitida.
Na imagem, Tae-min aparecia entrando na sala onde meus documentos estavam guardados.
No verso havia uma frase:
"Você descobriu quem alterou os documentos. Agora descubra quem mandou fazer isso."
Fiquei imóvel.
Porque, se aquela mensagem fosse verdadeira...
Tae-min talvez não tivesse agido sozinho.
Olhei para o escritório de Tae-jun.
Ele estava do outro lado do vidro.
E, naquele instante, percebi algo assustador:
talvez o homem que eu pensei estar protegendo ainda estivesse em perigo.
E dessa vez, eu não iria apenas infernizar a vida do CEO.
Eu iria descobrir quem estava tentando destruir o homem que eu aprendi a amar.
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