casei errado


Amiga, antes de você me julgar, deixa eu explicar uma coisa.

Eu não queria me casar com ele.

Juro.

Se dependesse de mim, eu teria feito qualquer coisa para escapar daquele casamento.

Mas, naquela época, eu não tinha escolha.

Meu nome é Han Seo-yeon e, quando tudo aconteceu, eu tinha vinte e quatro anos.

Minha vida era bem simples. Eu trabalhava em uma pequena cafeteria perto da estação de metrô, morava com minha mãe e passava a maior parte do tempo tentando ajudar em casa.

Eu nunca sonhei em me casar com um homem rico.

Muito menos com um CEO.

Até o dia em que minha mãe apareceu na cozinha com uma expressão que eu nunca tinha visto antes.

— Seo-yeon, precisamos conversar.

Eu estava preparando café.

— Aconteceu alguma coisa?

Ela se sentou.

— Seu pai deixou muitas dívidas.

Eu parei o que estava fazendo.

— Eu sei.

— Não, você não sabe de tudo.

Ela colocou alguns documentos sobre a mesa.

Quando comecei a ler, senti meu estômago embrulhar.

Era muito dinheiro.

Muito mais do que eu imaginava.

— Mãe...

— Eu tentei resolver sozinha.

— Por que você não me contou?

Ela começou a chorar.

— Porque eu sabia que você tentaria abandonar seu emprego e trabalhar ainda mais.

Sentei ao lado dela.

— Então o que vamos fazer?

Minha mãe respirou fundo.

E foi aí que ela disse algo que eu jamais imaginaria ouvir.

— Você precisa se casar.

Eu fiquei olhando para ela.

— O quê?

— Com o filho de uma família que conhecemos há muitos anos.

Comecei a rir, porque achei que ela estava brincando.

— Mãe, você está falando sério?

Ela não respondeu.

E foi aí que percebi que estava.

— Eu não vou me casar com um desconhecido para pagar dívida.

— Você não está entendendo.

— Então me explica!

Ela segurou minha mão.

— A família Kang se ofereceu para pagar tudo.

Fiquei em silêncio.

Eu já tinha ouvido aquele sobrenome.

Todo mundo conhecia os Kang.

E, principalmente, conhecia Kang Tae-jun.

O jovem CEO que aparecia constantemente nas revistas.

Rico.

Bonito.

Inteligente.

E, segundo minha mãe, completamente fora da minha realidade.

— Ele sabe disso?

— Sabe.

— E ele concordou?

Minha mãe abaixou os olhos.

— O casamento também resolve alguns problemas para a família dele.

Aquilo parecia cada vez mais absurdo.

— Então eu seria apenas uma troca?

Minha mãe apertou minha mão.

— Eu sinto muito.

Eu queria dizer não.

Queria levantar daquela cadeira e sair de casa.

Mas olhei para os documentos.

Pensei nas contas.

Na nossa casa.

Na minha mãe.

E acabei fazendo a pior escolha da minha vida.

Ou talvez a melhor.

Eu ainda não sei.


Conheci Kang Tae-jun três dias depois.

Ele chegou ao restaurante exatamente às sete da noite.

Eu já estava esperando.

Quando ele entrou, entendi imediatamente por que tantas mulheres falavam dele.

Ele era realmente bonito.

Alto, elegante, cabelo preto impecável e um jeito extremamente sério.

Sentou-se na minha frente.

— Han Seo-yeon?

— Sim.

— Eu sou Kang Tae-jun.

— Eu sei.

Ele quase sorriu.

— Imagino.

Ficamos alguns segundos em silêncio.

Então ele foi direto ao assunto.

— Você sabe por que estamos aqui.

— Sei.

— E sabe que esse casamento não precisa ser baseado em sentimentos.

Aquilo me surpreendeu.

— Você não está procurando amor?

— Não.

— Ótimo.

Ele levantou uma sobrancelha.

— Ótimo?

— Porque eu também não estou.

Foi a primeira vez que ele sorriu.

Bem pouco.

Mas sorriu.

— Então talvez consigamos nos entender.

Naquela noite, combinamos as regras.

Nada de cobranças.

Nada de ciúmes.

Nada de interferência na vida pessoal.

Seríamos marido e mulher apenas diante das outras pessoas.

Era simples.

Pelo menos parecia.


O casamento aconteceu dois meses depois.

Foi pequeno.

Bonito.

E completamente sem emoção.

Quando olhei para Kang Tae-jun ao meu lado, pensei:

"Um ano. Só preciso aguentar um ano."

Depois disso, cada um seguiria sua vida.

O que eu não sabia era que havia outra pessoa naquela família.

Kang Do-hyun.

O irmão mais velho de Tae-jun.

Eu tinha ouvido falar dele algumas vezes, mas nunca tinha visto uma foto.

Segundo minha mãe, ele era diferente do irmão.

Muito diferente.

E eu descobri exatamente o quanto naquela primeira semana.

Eu estava na cozinha da casa dos Kang quando ouvi alguém entrando.

— Você é a esposa do Tae-jun?

Virei-me.

Era um homem alto, usando uma camisa simples e calça jeans.

Ele tinha os cabelos bagunçados e uma cicatriz no rosto.

Não parecia alguém preocupado em impressionar ninguém.

— Sou.

Ele me observou por alguns segundos.

— Então você realmente se casou com ele.

— Parece que sim.

Ele soltou uma pequena risada.

— Corajosa.

— Por quê?

— Porque meu irmão não é exatamente fácil de conviver.

Aquilo me fez rir.

— Eu já percebi.

Ele estendeu a mão.

— Do-hyun.

Apertei sua mão.

— Seo-yeon.

— Eu sei.

— Como?

— Todo mundo sabe quem você é agora.

Revirei os olhos.

— Isso não é exatamente uma coisa boa.

Ele sorriu.

E foi a primeira vez que percebi que aquela cicatriz não tornava seu rosto assustador.

Na verdade...

Havia algo muito bonito naquele sorriso.

Mas eu ignorei completamente aquela sensação.

Afinal, ele era irmão do meu marido.


Nos dias seguintes, comecei a perceber algumas coisas.

Tae-jun quase nunca estava em casa.

Do-hyun estava sempre por perto.

E, ao contrário do irmão, ele conversava comigo.

Uma manhã, eu estava tentando alcançar uma caixa no armário quando ouvi:

— Deixa que eu pego.

Olhei para trás.

— Eu consigo.

— Você está quase caindo.

— Não estou.

No segundo seguinte, a caixa escorregou.

Ele segurou antes que caísse.

— Viu?

Fiquei vermelha.

— Obrigada.

Ele colocou a caixa sobre a bancada.

— Você gosta de café?

— Muito.

— Sem açúcar?

Olhei para ele surpresa.

— Como você sabe?

— Você toma assim todas as manhãs.

Fiquei em silêncio.

Ele já tinha reparado?

— Você observa demais.

— Talvez.

Ele pegou uma xícara.

— Quer?

— Quero.

Enquanto ele preparava o café, fiquei olhando.

— Do-hyun?

— Hum?

— Por que você mora aqui?

Ele parou.

Por alguns segundos, não respondeu.

Depois colocou a xícara diante de mim.

— Porque esta ainda é minha casa.

— Você não se dá bem com sua família?

Ele sorriu sem humor.

— Isso é uma pergunta perigosa.

— Desculpa.

— Não precisa.

Ele se afastou.

Mas antes de sair da cozinha, olhou para mim.

— Só não acredite em tudo que eles dizem sobre mim.

E foi embora.

Naquele momento, eu não fazia ideia do que ele queria dizer.

Mas descobriria.

E, quando descobrisse, já seria tarde demais.

Porque eu começaria a perceber que o homem que todos chamavam de “irmão feio” era justamente a única pessoa naquela casa que fazia meu coração bater diferente.

E eu era casada com o irmão dele.

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