O CEO QUE VENDIA BOLO NAS RUAS
O CEO QUE VENDIA BOLO NAS RUAS
Todas as noites, eu vendia bolos nas ruas para descobrir quem ainda seria capaz de me amar sem saber que eu era o homem mais rico daquela cidade.
Meu nome é Kang Do-hyun.
Aos trinta e cinco anos, eu era CEO de um dos maiores grupos empresariais da Coreia.
Meu rosto aparecia em revistas.
Meu nome estava nos jornais.
Eu tinha um apartamento no último andar de um edifício que dominava o centro de Seul.
Motorista particular.
Assistente.
Seguranças.
Cartões que eu raramente precisava olhar antes de pagar alguma coisa.
Mas havia uma coisa que ninguém sabia.
Todas as noites, depois de terminar meu trabalho, eu trocava meu terno por uma jaqueta simples, colocava um boné e ia vender bolos em uma pequena barraca perto de uma estação.
Não precisava daquele dinheiro.
Eu queria descobrir uma coisa.
Se alguém poderia gostar de mim sem gostar do meu dinheiro.
Tudo começou depois do meu noivado.
Meu pai havia escolhido minha futura esposa.
Choi Mi-rae era filha de outro empresário.
Bonita.
Educada.
Rica.
Perfeita para as fotografias.
Mas nunca me perguntou como eu estava.
Perguntava quanto a empresa valeria depois do casamento.
Um dia, ouvi uma conversa entre ela e minha mãe.
— Depois do casamento, ele finalmente vai me dar acesso às ações?
Minha mãe respondeu:
— Espere. Primeiro precisamos garantir que ele não mude o testamento.
Fiquei parado do outro lado da porta.
Naquele momento, percebi que as pessoas ao meu redor não estavam apaixonadas por mim.
Estavam apaixonadas pelo que eu possuía.
Foi quando decidi desaparecer por algumas horas todas as noites.
A barraca de bolos pertencia a um senhor chamado Park.
Ele havia sido cozinheiro durante muitos anos e preparava os bolos em casa.
Eu o ajudava a vender.
Minha primeira noite foi um desastre.
Queimei parte da massa.
Errei o troco.
Derrubei uma caixa inteira.
Park riu.
— Você já vendeu alguma coisa na vida?
— Empresas.
Ele gargalhou.
— Então está explicado.
Foi assim que comecei.
Na terceira noite, ela apareceu.
Uma jovem chamada Han Na-ri.
Ela trabalhava em uma pequena floricultura perto da estação.
Todos os dias, depois do expediente, comprava um pedaço de bolo.
Sempre o mais barato.
Uma noite, perguntei:
— Você não gosta dos outros?
Ela sorriu.
— Gosto.
— Então por que compra esse?
— Porque você sempre coloca um pedaço maior.
Fiquei surpreso.
— Você percebeu?
— Percebo muitas coisas.
Na-ri não sabia quem eu era.
E eu gostava disso.
Ela conversava comigo como conversaria com qualquer pessoa.
Reclamava do chefe.
Contava histórias engraçadas.
Falava dos sonhos.
E nunca perguntava quanto eu ganhava.
Uma noite, perguntei:
— Se você pudesse mudar sua vida amanhã, o que faria?
Ela pensou.
— Abriria uma confeitaria.
— Por quê?
— Porque quero que as pessoas tenham um lugar onde possam esquecer os problemas por alguns minutos.
Eu sorri.
— Parece um bom negócio.
— Não estou pensando em negócio.
— Então em quê?
Ela respondeu:
— Em felicidade.
Eu comecei a esperar por ela.
E percebi que estava me apaixonando.
Mas havia um problema.
Eu ainda era noivo.
E Na-ri descobriu isso por acaso.
Ela estava passando perto de um hotel quando viu minha fotografia em um painel.
KANG DO-HYUN — CEO DO GRUPO KANG
Ela ficou olhando.
Depois olhou para a fotografia novamente.
E viu o homem da barraca.
Naquela noite, não apareceu.
Nem na seguinte.
Nem na outra.
Eu fui até a floricultura.
Ela estava fechando.
— Por que você não voltou?
Ela ficou em silêncio.
— Você mentiu para mim.
— Eu nunca disse que era outra pessoa.
— Mas escondeu.
— Eu queria saber se alguém poderia gostar de mim sem conhecer meu dinheiro.
Ela me encarou.
— Então eu era um teste?
A pergunta me destruiu.
— Não.
— Era sim.
Ela fechou a porta.
— Eu não quero fazer parte de um experimento.
Voltei para casa.
Naquela noite, contei tudo ao meu pai.
— Não vou me casar.
Ele ficou furioso.
— Você vai destruir um acordo de bilhões!
— Prefiro isso.
— Por uma mulher que vende flores?
— Por uma mulher que gosta de mim.
Meu pai respondeu:
— Você nem sabe se ela realmente gosta de você.
Aquilo me fez pensar.
Dias depois, Na-ri apareceu na minha empresa.
Ela estava procurando emprego.
Não sabia que eu era o CEO.
Foi contratada para trabalhar no setor de atendimento.
Quando nos encontramos no corredor, ela ficou paralisada.
— Você?
— Eu.
Ela virou para ir embora.
— Espere.
— Não.
— Eu não vou interferir no seu trabalho.
— Então não apareça perto de mim.
Eu respeitei.
Pela primeira vez, percebi que amar alguém também significava saber quando não insistir.
Mas a família dela começou a enfrentar problemas.
O pai de Na-ri tinha uma pequena confeitaria que estava prestes a fechar.
Eu poderia resolver tudo com uma assinatura.
Mas não fiz.
Porque não queria que ela pensasse que estava comprando seu carinho.
Então comecei a ajudá-la anonimamente.
Com fornecedores.
Com divulgação.
Com clientes.
A confeitaria começou a crescer.
E Na-ri nunca descobriu que era eu.
Até que minha noiva descobriu.
Mi-rae apareceu na confeitaria.
— Você sabe quem está ajudando sua família?
Na-ri respondeu:
— Um investidor.
Mi-rae sorriu.
— Não.
Ela mostrou uma fotografia minha.
Na-ri ficou pálida.
— Foi ele.
Naquela noite, Na-ri veio até minha casa.
— Por que você fez isso?
— Porque queria ajudar.
— Sem me contar?
— Eu não queria que você aceitasse por gratidão.
Ela ficou em silêncio.
— Você ainda vende bolos?
Sorri.
— Todas as noites.
Ela começou a rir.
— Você é o CEO mais estranho que eu já conheci.
— E você ainda gosta de bolo?
— Agora gosto mais.
Parecia que finalmente tudo estava bem.
Até que meu pai anunciou uma coletiva.
Ele revelou que eu deixaria a presidência.
A empresa seria entregue a outro membro da família.
Meu pai havia descoberto que eu estava planejando mudar a estrutura acionária.
Eu perderia quase tudo.
Na-ri ouviu a notícia.
E me procurou.
— Você está perdendo sua empresa por minha causa?
— Não.
— Então por quê?
— Porque quero decidir minha própria vida.
Ela segurou minha mão.
— Então talvez você finalmente esteja rico.
Olhei para ela.
— Sem dinheiro?
Ela sorriu.
— Com liberdade.
No dia seguinte, descobrimos uma coisa ainda maior.
Os documentos que meu pai usava para justificar a mudança de controle da empresa haviam sido alterados.
Alguém estava tentando assumir o grupo.
E a pessoa por trás disso era minha noiva.
Mi-rae havia planejado tudo.
Ela queria o casamento para conseguir influência sobre as ações.
Quando percebi, rompi o noivado.
Meu pai finalmente entendeu que havia confiado nas pessoas erradas.
Meses depois, abri uma pequena confeitaria.
Não um enorme empreendimento.
Uma loja simples.
Com mesas pequenas.
Flores na janela.
E bolos feitos diariamente.
Na-ri ficou responsável pelas flores.
Park ensinou minhas primeiras receitas.
E eu continuava vendendo alguns bolos na rua à noite.
Um dia, Na-ri me perguntou:
— Por que você ainda faz isso?
Eu sorri.
— Porque foi aqui que conheci você.
Ela segurou minha mão.
— E se você soubesse desde o começo quem eu era?
— Eu provavelmente teria ficado com medo.
— Medo de quê?
— De você gostar do CEO.
Ela riu.
— Eu gostei do homem que errava o troco.
Pensei que nossa história tivesse terminado ali.
Até que, certa manhã, Park apareceu na confeitaria segurando uma fotografia antiga.
— Do-hyun, encontrei isso entre minhas coisas.
Olhei.
Era uma fotografia da minha infância.
Eu estava ao lado de um menino.
Um menino que eu não reconhecia.
Atrás da foto havia uma frase:
"Ele é seu irmão. Não deixe sua família descobrir que ele voltou."
Meu sorriso desapareceu.
— Onde você encontrou isso?
Park ficou sério.
— Na antiga barraca onde você começou a vender bolos.
Olhei para Na-ri.
Ela percebeu minha expressão.
— O que aconteceu?
Eu não respondi.
Porque naquele momento compreendi que talvez eu tivesse passado a vida inteira acreditando ser filho único.
E alguém havia escondido de mim a existência de outra pessoa.
Meu irmão.
E, pela primeira vez, percebi:
talvez eu não tenha começado a vender bolos nas ruas para encontrar o amor.
Talvez eu tenha ido para aquelas ruas porque era lá que a verdade sobre minha própria família estava esperando por mim.

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