O CEO SE APAIXONOU PELA MENDIGA


 

O CEO SE APAIXONOU PELA MENDIGA

Eu estava procurando uma mulher que pudesse salvar a reputação da minha família… até me apaixonar pela mulher que todos tinham aprendido a ignorar.

Meu nome é Kang Min-jae.

Durante trinta e quatro anos, nunca precisei perguntar quanto custava alguma coisa.

Minha família tinha hotéis, hospitais, restaurantes e empresas espalhadas por toda a Coreia.

Eu era o único filho do presidente do Grupo Kang.

E todos acreditavam que minha vida era perfeita.

Mas havia uma coisa que o dinheiro nunca conseguiu comprar:

paz.

Meu pai queria que eu me casasse.

Não por amor.

Por negócios.

A família Seo controlava uma das maiores empresas de investimentos do país e, durante meses, meu pai insistiu que eu me casasse com Seo Yu-ri, a filha do presidente.

Eu recusava.

Até que ele me deu um ultimato.

— Se você não assumir suas responsabilidades, entregarei a presidência ao seu primo.

Eu não queria o cargo.

Mas também não queria ver tudo o que minha família construiu cair nas mãos de alguém que não estava preparado.

Então aceitei conhecer Yu-ri.

E foi nesse mesmo período que conheci uma mulher que vivia nas ruas.


A primeira vez que a vi estava chovendo.

Eu havia saído de uma reunião tarde da noite.

Meu motorista estava esperando no estacionamento.

Mas pedi que ele parasse.

Não sei exatamente por quê.

Talvez tenha sido porque vi uma mulher sentada perto da entrada de uma estação, tentando proteger alguns pertences da chuva.

Ela segurava uma pequena caixa de papelão.

Ao lado dela havia um guarda-chuva quebrado.

Parei diante dela.

— Você está bem?

Ela levantou os olhos.

Era jovem.

Talvez tivesse pouco mais de vinte e poucos anos.

Estava cansada.

Mas não parecia derrotada.

— Estou.

— Você precisa de ajuda?

Ela balançou a cabeça.

— Não.

Fiquei surpreso.

A maioria das pessoas teria pedido dinheiro.

Ela não pediu nada.

Dei alguns passos.

Então ouvi:

— Senhor.

Olhei para trás.

Ela apontou para minha mão.

Meu relógio havia caído.

Ela o entregou.

— Você deixou cair.

Peguei.

— Obrigado.

Ela sorriu.

— De nada.

E voltou a olhar para a chuva.

Foi tudo.

Um minuto.

Talvez menos.

Mas eu não consegui esquecê-la.


Voltei no dia seguinte.

Ela estava lá.

Comendo um pão.

— Você voltou.

Ela parecia surpresa.

— Sim.

— Por quê?

Não soube responder.

Sentei-me no banco próximo.

— Como você se chama?

Ela hesitou.

— Han Soo-jin.

— Você mora aqui?

Ela deu de ombros.

— Atualmente.

Aquela resposta me incomodou.

— Você não tem família?

Ela ficou olhando para o pão.

— Tive.

Não perguntei mais.

Mas alguma coisa em sua voz me fez querer saber.


Nos dias seguintes, passei a encontrá-la.

Às vezes levava comida.

Ela sempre dividia com outras pessoas que viviam naquela região.

Uma noite, perguntei:

— Por que você faz isso?

— O quê?

— Divide tudo.

Ela sorriu.

— Porque eu sei como é não ter nada.

Aquilo me atingiu.

Eu tinha tudo.

E nunca havia pensado nisso.


Certa manhã, encontrei Soo-jin diante de uma loja.

Ela estava olhando para um vestido na vitrine.

— Gostou?

Ela se assustou.

— Você me assustou.

— Gostou do vestido?

— É bonito.

— Então compre.

Ela imediatamente balançou a cabeça.

— Não.

— Por quê?

— Porque eu não preciso.

— Todo mundo precisa de alguma coisa.

Ela olhou para mim.

— Eu preciso de uma oportunidade. Não de um presente.

Aquela frase mudou a forma como eu a enxergava.


Arrumei para ela uma entrevista em um pequeno restaurante.

Ela conseguiu o emprego.

Depois encontrou um quarto simples para alugar.

Começou a trabalhar.

E desapareceu das ruas.

Mas não desapareceu da minha vida.

Nós continuamos nos encontrando.

Conversávamos.

Ríamos.

E, sem perceber, comecei a esperar por aqueles encontros.

Até que uma noite ela perguntou:

— Por que um homem como você passa tanto tempo com alguém como eu?

Eu fiquei em silêncio.

— O que você quer dizer?

— Você tem uma vida inteira esperando por você.

— E você não faz parte dela?

Ela abaixou os olhos.

— Não.

Eu respondi:

— Talvez eu não queira mais aquela vida.


Meu pai descobriu.

Ele ficou furioso.

— Você está saindo com uma mulher que vivia nas ruas?

— Ela não vive mais.

— Isso não importa.

— Para mim importa.

Ele bateu a mão sobre a mesa.

— Você é o herdeiro desta família!

— E ela é uma pessoa.

— Você vai destruir sua reputação.

— Minha reputação não é mais importante que minha felicidade.

Meu pai ficou em silêncio.

Então disse:

— Você não sabe quem ela é.


Eu achei que fosse apenas uma ameaça.

Até que minha mãe apareceu no meu apartamento.

Ela colocou uma fotografia sobre a mesa.

Era Soo-jin.

Mas a fotografia era antiga.

Muito antiga.

— Onde conseguiu isso?

Minha mãe respondeu:

— Porque essa garota não é quem você pensa.

Meu coração acelerou.

— O que você sabe?

Ela abriu uma pasta.

Dentro havia documentos.

E uma certidão de nascimento.

O nome de Soo-jin aparecia.

Mas o sobrenome não era Han.

Era Kang.

Meu sangue gelou.

— Isso é impossível.

Minha mãe olhou para mim.

— Ela é sua irmã.


Eu não consegui respirar.

— Não.

— Seu pai teve uma filha antes de se casar comigo.

— Por que ninguém me contou?

— Porque ela desapareceu.

— Como?

Minha mãe ficou em silêncio.

— Quando ela era criança, houve uma disputa pela herança. Seu pai acreditou que alguém da família estava tentando usá-la contra ele.

— E?

— Ela foi entregue a outra família.

Eu não acreditava.

A mulher que eu havia encontrado na rua poderia ser minha irmã.

Mas havia algo errado.

Muito errado.


Procurei Soo-jin.

Contei tudo.

Ela ficou em silêncio.

— Eu sabia.

Olhei para ela.

— Você sabia?

— Não quem você era.

Ela tirou um pequeno colar do pescoço.

— Minha mãe me deu isso quando eu era criança.

No pingente havia o símbolo da família Kang.

— Ela dizia que um dia eu descobriria de onde vim.

Meu coração apertou.

— Por que você nunca procurou?

Ela sorriu tristemente.

— Porque minha mãe morreu antes de conseguir me contar tudo.


A família inteira foi reunida.

Meu pai ficou pálido quando viu Soo-jin.

Ele não conseguiu negar.

Ela era sua filha.

Minha irmã.

Mas então descobrimos algo ainda mais estranho.

O desaparecimento dela não havia sido acidente.

Alguém havia escondido sua existência.

E o motivo estava relacionado à sucessão da empresa.


Começamos a investigar.

Descobrimos documentos falsificados.

Contas antigas.

Cartas.

E uma pessoa aparecia repetidamente em todos os registros.

Meu tio.

Ele havia sido o responsável por administrar parte dos negócios naquela época.

E, durante anos, todos acreditaram que ele não sabia onde Soo-jin estava.

Até encontrarmos uma carta.

Nela, ele escrevia:

"Enquanto ela estiver longe, meu filho continuará sendo o próximo herdeiro."

Meu pai ficou destruído.

Meu tio foi confrontado.

Mas ele negou.

— Eu nunca faria isso.

Então Soo-jin colocou outra carta sobre a mesa.

— Essa letra é sua.

Ele ficou em silêncio.


Tudo parecia resolvido.

Mas não estava.

Porque havia uma última informação.

Minha mãe me chamou em particular.

— Min-jae, existe algo que você precisa saber.

— O quê?

— Soo-jin não foi a única criança que desapareceu naquela época.

Olhei para ela.

— O que você está dizendo?

Ela respirou fundo.

— Existe outra pessoa.

— Quem?

Minha mãe me entregou uma fotografia.

Era um menino.

Mais ou menos da minha idade naquela época.

Atrás da foto havia apenas uma frase:

"Se Soo-jin voltar, ele também voltará."


Naquela noite, perguntei a Soo-jin sobre a fotografia.

Ela ficou assustada.

— Onde você conseguiu isso?

— Minha mãe me deu.

Ela ficou olhando para o menino.

— Eu conheço essa foto.

— Quem é ele?

Ela demorou a responder.

— Meu irmão.

Meu coração parou.

— Você tinha outro irmão?

Ela assentiu.

— Ele desapareceu antes de mim.

Então entendi.

A história que todos conhecíamos estava errada.

Não havia apenas uma criança perdida.

Havia duas.

E alguém passou décadas garantindo que nenhuma delas encontrasse o caminho de volta para casa.


Meses depois, Soo-jin assumiu seu lugar na família.

Meu pai pediu perdão.

Minha mãe também.

Mas ela não queria dinheiro.

Não queria poder.

Queria respostas.

E eu continuei ao lado dela.

Só que meu sentimento por ela precisava mudar.

Ela era minha irmã.

Não a mulher por quem eu havia me apaixonado.

A verdadeira história de amor da minha vida ainda estava para começar.

Porque, durante toda aquela investigação, havia uma pessoa que permaneceu ao nosso lado.

Uma jovem jornalista que ajudou Soo-jin a encontrar documentos sobre seu passado.

Seu nome era Lee Ha-rin.

Ela era inteligente.

Corajosa.

E não tinha medo da minha família.

Eu comecei a gostar dela.

Dessa vez, sem segredos.

Sem riqueza.

Sem diferença social.

Apenas duas pessoas se conhecendo.


Um ano depois, encontrei Soo-jin novamente diante daquela mesma estação.

Ela não estava mais nas ruas.

Usava um casaco elegante.

Tinha seu próprio apartamento.

Seu próprio trabalho.

E uma vida que finalmente pertencia a ela.

Ela olhou para mim e sorriu.

— Você lembra do dia em que me encontrou?

— Todos os dias.

— Você achou que estava salvando uma desconhecida.

Sorri.

— E descobri que estava encontrando minha família.

Ela olhou para o céu.

— Talvez algumas pessoas precisem se perder para finalmente serem encontradas.

Eu concordei.

Mas havia uma coisa que nenhum de nós sabia.

O homem da fotografia ainda estava vivo.

E, naquela mesma noite, alguém colocou uma carta na porta da casa de Soo-jin.

Ela abriu.

Leu.

E ficou completamente imóvel.

Na primeira linha estava escrito:

"Irmã, eu finalmente voltei."

E abaixo havia apenas um nome.

Um nome que faria nossa família inteira tremer novamente.

Porque talvez o maior segredo da família Kang ainda estivesse vivo.

E, dessa vez, ninguém sabia de que lado ele estava.

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